SEGUE O ROLO
Inquérito em andamento e enquanto o ex-lutador de muay thai, atingido por um disparo dado pela esposa em Curitiba, recupera a consciência e quebra o silêncio sobre a situação, a mulher continua afirmando que só deu o tiro para se defender, além de apresentar um histórico de violência doméstica constante.
De acordo com o ex-lutador, que possui registro de CAC (Colecionador, Atirador e Caçador), ele questionou a esposa sobre o horário e o traje dela ao chegar em casa às 2h30 da madrugada, após retornar de um desfile com a filha mais velha.
“Cheguei em casa e cadê a guria? Falei: ‘Não, isso tá errado, mas beleza’. Quando foi 2h30, eu escutei um carro chegando e corri pra ver de quem era. Era ela toda arrumadona. Falei: ‘Escuta aqui, você acha que está certo um negócio desse? Isso é hora de estar chegando, desse jeito, nessa condição, nesse horário?” contou o ex-lutador, que trabalha como caminhoneiro.
Ele nega qualquer agressão física e alega que a mulher caiu sozinha devido ao estado de embriaguez e ao uso de sapato com salto. Segundo ele, após ajudá-la a levantar, foi surpreendido pelo disparo enquanto fechava o portão. O filho do casal, de 9 anos, viu toda a situação.
De acordo com o relato do homem, após ter sido atingido pelo disparo, conseguiu ligar para o pai, pedindo socorro. A ambulância chegou no local rapidamente para atender ao ex-lutador.
“Preciso que o senhor venha aqui em casa agora. Ela me deu um tiro. Se o senhor não vier, eu vou morrer” disse ao pai.
Esposa fala que agiu em legítima defesa
Por outro lado, a mulher contesta cada palavra do ex-marido. Enquanto aguarda o resultado do exame de corpo de delito para provar que as marcas no corpo não foram causadas por um tropeço acidental, ela afirma que agiu em legítima defesa para não se tornar mais uma vítima de feminicídio.
“Quem estava bêbado era ele, que estava bebendo desde a hora do almoço. Ele chegou em casa 1h40 bêbado com o meu filho de caminhão. Eu estava vendo a minha filha desfilar. Jamais existiu uma possibilidade de cair sozinha. Primeiro que eu estava de tênis, não tinha como cair sozinha. Ele me empurrou e depois me arrastou pelo cabelo, me ameaçando de morte a todo momento.”
disse.
A mulher descreve um cenário de terror psicológico e físico que durou parte dos 13 anos de casamento. Ela detalha o comportamento possessivo do homem, que costumava quebrar objetos da casa e ameaçava fugir com o filho do casal caso houvesse uma separação.
“Ele quebrou essa mesa com soco, quebrou meu lustre, quebrava copo, prato, qualquer coisa. Ele vivia me ameaçando. […] Me ameaçava de morte também. Falava que era fácil matar porque ele fugia do flagrante", afirma.
Atualmente, o caso está sob investigação na Delegacia da Mulher. Enquanto o ex-lutador se recupera da grave lesão, a mulher e a defesa buscam provar que o tiro foi o último recurso de uma mulher encurralada pelo medo e pela violência.

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